Índios venezuelanos são levados para abrigo no Coroado, na Zona Leste de Manaus

June 2, 2017

 

Crianças subnutridas correm em meio ao lixo enquanto os pais arrumam seus poucos bens em sacolas plásticas. A descrição da cena até parece triste, mas na verdade é de esperança. Apesar do medo natural do desconhecido, há muitos sorrisos vindos dos índios venezuelanos da etnia warao que estavam acampados, até a tarde desta quinta-feira (1º), nos arredores da Rodoviária de Manaus, na Zona Centro-Sul. Agora, os 297 indígenas serão levados para um abrigo do Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Famílias, no bairro Coroado, na Zona Leste.

 

Um tanto sério ao ser abordado pela reportagem, o xamã Antônio Calderon, 52, disse que tudo está indo bem, mas que dia 3 de julho vai retornar a Venezuela. “É muito bom poder sair daqui e ir para o abrigo. Tenho trabalho e em razão disso vou voltar”, disse ele, que presta serviço em uma escola e vem a Manaus encontrar os parentes.

 

Muitos indígenas aproveitam a mobilidade transfronteiriça e passam alguns meses na capital amazonense para conseguir arrecadar dinheiro, seja com trabalhos informais ou como pedintes nos sinais de trânsito, para então levar aos seus familiares que continuam no país. Quando o dinheiro acaba, eles retornam para Manaus, permanecendo nesse ciclo de idas e vindas.

 

“Quero levar alimentos e dinheiro para meu filho que está estudando lá. Vou passar dois meses e depois volto para cá”, relatou um indígena, que preferiu não se identificar.

Acostumado a conversar com os indígenas, o assessor da gerência de migração da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Jairo Felix, explicou que muitos povos nômades buscam oportunidades em Manaus. “Eles (warao) vem para conseguir dinheiro, alimento e roupa para levar à Venezuela. Aqui se oferece uma melhor condição de vida, por isso pretendem retornar”.

 

O local para onde estão sendo levados tem capacidade para 300 pessoas em um espaço dotado de área comum com "redário" para 180 redes, dormitórios, cozinha, refeitório, banheiros, lavanderia, quintal e salas onde funcionará a área administrativa do prédio.

O centro de acolhimento ainda não é a solução para a problemática em relação aos índios warao, mas gera esperança. “Esse é o braço amigo do Estado. Estamos os tirando dessa condição sub-humana e dando uma moradia mais digna. Por enquanto não há prazo estipulado para ficarem no abrigo. Eles vão ficar o tempo que for necessário até se estabelecerem”, declarou o secretário da Sejusc, Nildo Melo.

 

No novo espaço, os indígenas fizeram um ritual de purificação para emanar boas energias.  Ao todo, 297 waraos ficaram no abrigo, sendo 55 homens, 85 mulheres, 32 meninos, 58 meninas, 4 idosos e 3 recém-nascidos.

 

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