Casal promove o turismo com restaurante e hostel flutuantes (Abaré SUP and Food) na Amazônia

February 7, 2017

 

Diogo Vasconcelos, 36, diz que sempre gostou de conviver com a natureza. Isso e a vontade de passar mais tempo com os filhos pequenos foram a motivação para que ele e a mulher largassem tudo e investissem em um restaurante flutuante no coração da Amazônia, no igarapé Tarumã-Açu, um braço do Rio Negro, em Manaus (AM).

 

Inaugurado em agosto de 2014 com investimento inicial de cerca de R$ 80 mil, o Abaré SUP and Food oferece atividades como aluguel de stand-up paddle, caiaque e barco elétrico, música ao vivo e pratos com ingredientes regionais, como aviú (crustáceo amazônico), tambaqui, pirarucu, tucupi e jambu. "Abaré" significa amigo em uma variação do tupi-guarani.

 

Na alta temporada, de junho a setembro, considerado o verão amazônico, o faturamento pode dobrar, segundo o empresário. Ele chega a receber 700 pessoas em um dia. Em um fim de semana, passam até 2.500 pessoas pelo local. São 84 mesas e capacidade para 200 pessoas sentadas. Os preços variam de R$ 5 (tapioca) a R$ 90 (pratos mais elaborados, que levam camarão, por exemplo). O aluguel de stand-up paddle custa R$ 20 a hora.

 

Sucesso estimulou abertura de hostel nas águas

O sucesso da empreitada fez com que ele investisse mais R$ 1 milhão na construção de um hostel flutuante anexo ao restaurante, inaugurado no final de 2016. São cinco suítes para casal e três quartos coletivos. As diárias custam a partir de R$ 60.

 

Antes de empreender, Vasconcelos e a mulher trabalhavam como operadoras turísticos, elaborando pacotes para agências. Ele, que é natural do Rio de Janeiro, e ela, que é de Piracicaba (160 km a noroeste de São Paulo), já moravam em Manaus por causa dos negócios.

 

"Os flutuantes já existiam na região, mas decidimos oferecer um serviço diferente, valorizando características amazônicas e o respeito à natureza. Temos tratamento de esgoto e pagamos pela coleta de lixo, coisas que os concorrentes não fazem", afirma.

 

O acesso se dá por terra –eles estão a cerca de dez minutos do aeroporto internacional de Manaus e a trinta minutos do centro da cidade – e depois um pequeno trecho (600 metros) de barco.

"Não estamos tão isolados, mas ainda assim é um desafio logístico sobreviver. Faltam serviços públicos e não temos acesso a financiamentos, por se tratar de embarcações", declara.

 

 

A maioria dos frequentadores é de manauaras, mas os turistas estrangeiros já começam a descobrir o local, segundo o empresário. "Toda a nossa divulgação é feita nas redes sociais como Facebook e Instagram. Dessa forma, conseguimos não só atrair, mas interagir com nosso público."

Mas, mesmo a divulgação, é um desafio. "A internet não funciona bem. O sinal é transmitido de um ponto remoto da cidade para cá. Mas estar próximo da natureza é uma opção de vida, não me arrependo", declara.

 

Fazer sucesso entre locais atrai turistas

Para o professor de estratégias de negócios da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Alberto Ajzental, o negócio tem potencial para virar um complexo turístico. "Ele pode acrescentar negócios como um spa e um empório com souvenires amazônicos, o que vai atrair mais turistas."

 

Os turistas, segundo o professor, ajudam a aumentar a ocupação em dias de semana, quando os moradores locais estão trabalhando. "Pelos números apresentados, ele já é um sucesso entre os moradores da região, o que também ajuda a atrair turistas que buscam uma experiência local. Ele pode direcionar o marketing para atrair turistas nos dias de semana e amenizar o problema da sazonalidade."

 

 

 

FONTE: UOL NOTÍCIAS 

 

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