'Resident Evil 7' une clássico e moderno em terror angustiante e macabro

January 27, 2017

Você deve ser como eu. Um fã desolado de "Resident Evil" que assistiu à clássica série de terror definhar nos últimos anos e que implorava para que ela recuperasse o clima, a tensão e o sufoco dos primeiros jogos. Pois as preces foram ouvidas. Agora aguenta a bronca aí porque o horror retornou em dose cavalar.

 

A primeira hora de "Resident Evil 7: Biohazard", lançado na terça-feira (24), é uma das experiências mais sinistras da minha memória com videogames. Momentos ao controle de absoluta angústia: com a nova perspectiva do jogo em 1ª pessoa (do ponto de vista do personagem) e sua proximidade do medo; com a atmosfera macabra que lembra mais filmes como "O massacre da serra elétrica" (1974) e "Bruxa de Blair" (1999) do que o terror fantástico de antes; e com a acentuada sensação de fraqueza por encarnar um cara-normal-procurando-sua-esposa-desaparecida-em-uma-fazenda-com-cara-de-cenário-de-chacina.

 

E aí quando você está no ápice do seu, vamos ser literais, cagaço, surge uma luz no fim do túnel... que leva até um novo pesadelo. E "Resident Evil 7" ganha um tempero estranhamente familiar, mas ainda assim muito autêntico, que remete àqueles velhos motivos que fizeram você gostar de um "Resident Evil" pela primeira vez.

 

É a união do clássico: uma mansão tenebrosa – e engenhosamente construída, como pode?, que arquitetos são esses – com corredores apertados, rangidos perturbadores e pouca munição. E do moderno: o espectador no papel principal de uma história abarrotada de sensações e dona de situações capazes de viralizar vídeos na internet.

"Resident Evil 7" é o primeiro grande game de 2017, sério concorrente a jogo do ano, e o melhor membro do clube desde o sagrado "Resident Evil 4" (2005).

 

Bem-vindo à família

Você assume as botas de Ethan Winters, um cara como eu e você que dirige até uma fazenda em Louisiana, no interior dos EUA, após receber uma mensagem de sua esposa Mia, sumida há 3 anos. Chegando lá, Ethan encontra um lugar esquisito, com gente ainda mais esquisita, e precisa fazer das tripas coração para sobreviver a esse... imprevisto.

 

O cenário e os personagens de "Resident Evil 7" são a pregação que os céticos do novo jogo precisavam ouvir. A família Baker, um bando de degenerados canibais, e sua propriedade transpiram a essência decrépita e nojenta de "Resident Evil". A presença constante dessas figuras bizarras, mesmo que de forma sutil ou indireta, como fez Nemesis em "RE 3", ajuda a ditar o ritmo da história e a deixar o jogador em um estado que alterna entre pânico e (falsa) segurança.

 

Os quebra-cabeças continuam ali, bem como as chaves tematicamente identificadas que limitam o progresso pela casa. Mas é a ameaça muitas vezes silenciosa, outras vezes não, dos Baker que conduz a história e mantém o jogador engajado em desvendar o mistério por trás de Mia.

 

Essa intimidade só se ressalta com a câmera em 1ª pessoa. É impossível não notar a principal mudança de "Resident Evil 7", que até fica parecendo um game de tiro.

 

Mas é inacreditável perceber como essa novidade assume com naturalidade algumas das principais características dos primeiros jogos da série.

 

Ethan se move lentamente e nunca consegue ver bem o que está à sua volta. As portas, apesar de não terem uma animação especial como no primeiro "Resident Evil", se abrem com dificuldade e sem revelar muito do que está por vir. E até o processo de atirar mostra que este não é um FPS, e que você vai precisar ficar parado e ter calma para acertar boa parte dos seus disparos.

 

O novo esquema funciona bem na maior parte do tempo. Mas nas batalhas contra os chefes, geralmente divertidas e alucinantes, às vezes se tem dificuldade em equilibrar a tomada de decisões rápidas com a movimentação mais truncada de Ethan. Um botão de esquiva seria uma boa pedida.

Surgimento de um novo mal

"Resident Evil 7: Biohazard" não é uma mera releitura dessa franquia de mais de 20 anos que definiu o beabá do chamado "survival horror", ou horror de sobrevivência.

 

O novo jogo, especulado há anos e revelado há apenas 8 meses, reverencia seu passado, mas não pretende apenas se repetir.

 

"Resident Evil" está mais assustador do que nunca, com personagens marcantes, ambientes tenebrosos e uma nova perspectiva que se provou bem-sucedida nos últimos anos para contar histórias de terror. Com a mudança mais radical da história da série, "Resident Evil 7" faz um relato extremamente perturbador e repugnante. E era exatamente isso o que os fãs queriam, ainda mais depois do fiasco de "P.T.". Truque de mestre.

 

FONTE: GAMES G1

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