Mãe tenta entregar drogas a preso em 1º dia de visita após massacre no AM

January 22, 2017

 

A mãe de um preso do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) foi detida após tentar entrar com drogas na unidade prisional, situada no km 8 da BR-174, em Manaus. O presídio foi um dos que tiveram visitas liberadas pela primeira vez neste sábado (21), após a onda de violência em presídios do Amazonas, que resultou na morte de 64 detentos e fuga de 225.

 

Por volta de 12h30, a mulher tentou entregar uma porção de entorpecente para o filho Cleiton Braga Nogueira, que está preso na unidade. Entretanto, o material foi encontrado durante procedimento de revista e a mulher foi levada para o 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

 

Na unidade, a polícia realizou os procedimentos de flagrante e a mulher foi liberada em seguida. A mãe do interno teve ainda a autorização de visita suspensa por 30 dias, de acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

 

A Seap liberou as visitas neste final de semana para o CDPM e para as duas unidades femininas do km 8 da BR-174. O Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) e a Penitenciária Feminina de Manaus (PFM) não registraram nenhuma alteração no primeiro dia de visitas de familiares em 2017.

 

O Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), Unidade Prisional do Puraquequara, Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), e a Vidal Pessoa - unidades que registraram mortes e fugas de presos - seguem com a visitação suspensa.

 

A Seap informou, no entanto, que está verificando o comportamento e a rotina de internos das demais unidades e que, posteriormente, definirá quando os outros presídios poderão liberar os internos para banho de sol e para receber visita de familiares e advogados.

 

Rebeliões e fugas
Desde o dia 1º de janeiro, o sistema prisional do estado registrou fuga de 225, rebeliões e um massacre que resultou de 64 mortes de detentos. Presos chegaram a postar foto com armas antes de uma das rebeliões, o que aponta para a existência de sinal de celular dentro das unidades.

 

A rebelião que aconteceu no Compaj durou mais de 17 horas e foi considerado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Sérgio Fontes, como "o maior massacre do sistema prisional" do Amazonas. Ao todo, 56 foram mortos dentro do presídio entre 1º e 2 de janeiro.

 

Na tarde de segunda (2), outros quatro presos morreram na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus.No domingo (8), outros quatro presos foram mortos em uma rebelião na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus, reativada para receber presos transferidos do Compaj após o massacre.

 

Investigação
A polícia do Amazonas apontou, ao menos, sete presos como líderes do massacre. Documentos o Ministério Público Federal (MPF) dizem que estes líderes têm estreita relação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Segundo o MPF, os traficantes brasileiros teriam comprado pistolas, fuzis e submetralhadoras do mesmo fornecedor de armas do grupo de guerrilha colombiano.

 

Diversos relatórios elaborados antes da rebelião já apontavam risco iminente no presídio deManaus. Um texto do setor de inteligência da Secretaria de Segurança alertava para um plano de fuga no regime fechado do Compaj. Além disso, apontava que oito armas de fogo tinham entrado no presídio na semana anterior ao Natal por meio de visitantes e com o ajuda de agentes.

 

Documentos emitidos pela administradora do presídio, a Umanizzare, alertavam para o risco de se permitir visitas no fim do ano aos presos. O governo estadual havia permitido que cada um dos mais de 1,2 mil presos do Compaj pudesse receber ao menos um acompanhante no Natal e no Ano Novo.

 

No dia 27 de dezembro, quatro dias antes da rebelião, a empresa ainda pediu providências imediatas porque, no dia 24, com autorização da secretaria do governo, os horários de visitas não foram respeitados, o que prejudicou a revista de celas e a contagem de presos. O secretário justificou a autorização, dizendo que se tratava de "humanização".

 

Exoneração
Após mortes e fugas no sistema prisional, o Governo do Amazonas anunciou no dia 13 mudança na gestão da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). O tenente-coronel da Polícia Militar, Cleitman Rabelo Coelho, assumiu o cargo substituindo o agente da Polícia Federal, Pedro Florencio. Agente da Polícia Federal, ele estava no comando da Seap desde outubro de 2015.

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