Estudante registra pichação homofóbica em universidade federal

January 16, 2017

 

Um post nas redes sociais de um estudante do curso de artes visuais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) ganhou repercussão esta sema por expor um episódio de preconceito e intolerância. Walteric Juur, de 24 anos, registrou com uma selfie os dizeres “morte aos gays”, pichado na porta de um dos banheiros do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Ufam, em Manaus.

 

A publicação chamou atenção e Walteric aproveitou a oportunidade para levantar um debate sobre a LGBTfobia.

"A questão aqui é atrair visibilidade para o fato. Saber que ali também existem pessoas que pensam coisas como o que estava escrito, faz a ficha cair de estarmos numa sociedade cheia de preconceito, não só com os LGBT, mas como com negros, com a mulher. Ter algo como “morte aos gays” escrito numa parede é só um fragmento da realidade do dia a dia, com piadinhas no ônibus, na rua e onde quer que se vá”, disse ao G1.

 

 

A Ufam, por meio da Associação de Docentes da instituição, emitiu uma nota de repúdio ao episódio. "Este Conselho se posiciona em defesa intransigente da diversidade sexual e da identidade de gênero e reafirma seu compromisso em defesa dos direitos e da cidadania de todos e todas", diz trecho da nota.

Internautas solidários modificaram os dizeres da
pichação (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

 

O Conselho Universitário (Cosuni) destacou também, em nota, que “rejeita todo o discurso de ódio e práticas discriminatórias contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e demais) em qualquer espaço social”.

A pichação foi apagada pelo setor de serviços gerais da Universidade, mas para Walteric a melhor forma de ajudar a causa é com solidariedade e discussão aberta.

"Agradeço a todos que entraram em contato comigo para apoiar. Recebi montagens da foto que fiz que transformam a palavra “morte” em “amor”, como uma forma de solidariedade. Vamos continuar falando. A discriminação e o preconceito existem, mas nós podemos fazer a diferença", concluiu.

 

 

 

FONTE: PORTAL G1

 

 

 

''esses dias eu fiquei reflexivo quanto a frase ''morte aos gays'' e eu me pergunto: eu tenho essa mesma vontade de matá-los, como eles tem de me matar? quem quer que seja.. héteros?
olha, tenho uma vida pra cuidar que envolve coisas bem difíceis de lidar sobretudo por causa do próprio preconceito que já sofri e sofro, mesmo que velado, mas sigo adiante carregando fardos então não tenho tempo de pensar em matar seres humanos, só quero distância destes rs

pelo que eu saiba - e isso não é restrito só a mim - não existe heterofobia. enquanto eles querem nos matar por homofobia, pelo seu machismo, misoginia, eu quero viver. não há diálogos possíveis com quem tem essa convicção na ponta da língua.
nessa eu me vejo num beco sem saída, onde existe a lei da sobrevivência. eles vem com essa vontade pois são sustentados por preconceitos que nem mesmo eles pretendem entender, realmente não seria com amor que eu me defenderia de qualquer jeito, isso é balela. porque eu não mereço morrer nas mãos de qualquer um q seja um incomodado com minha existência mas.. por que não me defenderia por ódio? pela raiva? como diz clarice: ''há dias que vivo da raiva de viver'', e talvez seja isso que ainda me mantém firme porque quero justiça, igualdade e respeito principalmente por causa de uma orientação sexual.

amor eu tenho por mim, pelos meus iguais e por pessoas que estejam passando por uma vida complicada por ser gay, lésbica, bi, travesti, mulher trans, homem trans e inclua ai as diversidades sexuais e de gênero, pelo racismo, pelas diferenças de classes, pelo machismo e misoginia.
eu não vejo saída a n ser entenderem que a reação do oprimido não é a mesma coisa que a violência do opressor, deveriam entender isso antes de apontar o dedo na cara de quem tá apanhando e ao revidar deu outro soco.'' 

 

Depoimento de Walteric Juur por meio de uma rede social.  

 

 

 

Consuni aprova moção de repúdio à LGBTfobia na Ufam

 

 

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) aprovou, por unanimidade, moção de repúdio à LGBTfobia nas dependências da instituição. A decisão foi tomada em reunião ordinária da instância máxima deliberativa da universidade, realizada nesta sexta (13), no Plenário Abraham Moysés Cohen, no setor Norte do Campus.

“Este Conselho se posiciona em defesa intransigente da diversidade sexual e da identidade de gênero e reafirma seu compromisso em defesa dos direitos e da cidadania de todos e todas”, diz trecho da nota. O Consuni também destacou que “rejeita todo o discurso de ódio e práticas discriminatórias contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e demais) em qualquer espaço social”.

A nota em favor da livre manifestação de orientação sexual e identidade de gênero foi proposta pela professora Patrícia Sampaio, conselheira representante docente do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) e integrante do Conselho de Representantes da ADUA (Crad). “A resposta ao discurso de ódio e práticas discriminatórias contra Lgbt+ na Ufam começou a ser dada!”, disse.

A proposição, destacou a docente durante a apresentação da proposta para os demais conselheiros, é uma resposta coletiva da comunidade acadêmica a uma mensagem de intolerância escrita em letras garrafais na porta de um dos banheiros do ICHL e que incomodou representantes dos três segmentos da comunidade acadêmica. A expressão de ódio chegou ao conhecimento de professores, técnicos e estudantes após uma publicação feita pelo estudante de Artes Visuais Walter Juur, que se sentiu ameaçado após se deparar com a mensagem.

Patrícia lembrou que esse não é o primeiro pixo e nem está restrito ao ICHL. “É uma prática recorrente em várias unidades acadêmicas. Ele é a expressão máxima da reiteração do discurso de ódio, de um discurso do apagamento da diferença e da mais indiscutível intolerância”, disse a professora, ao acrescentar que a expressão levou à indignação.

O posicionamento adotado pelo Consuni, na avaliação do estudante de Artes Visuais Walter Juur, é o reconhecimento de que esse discurso precisa ser combatido. “Esse tipo de prática não pode ocorrer na universidade. Tive raiva ao ler aquela mensagem, porque enquanto estudante e ativista considero uma expressão ameaçadora. Como não sabia o que fazer, resolvi compartilhar”, explicou.

A postagem, publicada nesta terça (10), teve dezenas de compartilhamentos e comentários, o que colocou o assunto em evidência. “Agora se abriu espaço para o diálogo e tomamos conhecimentos dos meios para denúncias e providências a serem tomadas. Precisamos combater esse tipo de prática”, concluiu.

A presidente da ADUA, professora Guilhermina Terra, acompanhou a discussão e expôs o motivo da adesão à proposta. “A ADUA repudia toda e qualquer prática discriminatória a qualquer ser humano, pois todos possuem o direito a uma vida digna, independentemente de sua cor, crença, raça, credo e, sobretudo, sexualidade. E, nós, membros de um espaço formador de cidadãos temos mais uma razão para não se permitir que ações desta natureza se tornem uma prática na universidade”, afirmou.

Na próxima semana, a comunidade acadêmica, com apoio de várias organizações LGBT, promete realizar um ato público no ICHL para intensificar o combate ao discurso de ódio na Ufam.

 

FONTE http://www.adua.org.br/ 

 

 

MORTE AO PRECONCEITO 

 

Essa versão (foto) ficou bem melhor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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